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Sansão e Dalila?

Foto: Luana Ribeiro

De um banco atrás de Marcos (20), pude ver a extensão dos cachos do rapaz, que desciam enroladinhos até quase o meio das costas. Intrigada com o penteado diferente, não resisti a perguntar de onde tinha vindo a inspiração. “Minha mãe tem o cabelo igual ao meu, aí eu deixei crescer…”, conta ele, que há 1 ano e meio cultiva as madeixas, que com certeza são a força do seu visual.

Foto: Luana Ribeiro

E falando em cabelo, um acessório que, com o perdão do trocadilho, está fazendo a cabeça das meninas é o lenço. Dia desses a lisboeta Sofia Andrade (21) usou de forma muito graciosa:

Foto: Luana Ribeiro

Gosto da forma que Sofia amarrou, simples e desprentensiosa: apenas um fofo laçarote na cabeça, jogado para o lado. Na cabeça das celebridades e na blogosfera, a quantidade de formas de usar mostram que o lenço é teindêeeiincia  também para este verão 2012.

Neston?

Outro detalhe interessante no look de Sofia foram s unhas combinando com uma das bolinhas do lenço. Um capricho só!

Foto: Luana Ribeiro

 

 

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A dança da sereia

Foto: Luana Ribeiro

Quando eu vi Inaê Moreira (20), a primeira coisa obviamente que me chamou atenção foi o verde da sua calça, que combina bastante com essa manhã cinzento (e frio) que fez hoje. Depois, claro, eu vim reparar na sobreposição de listras (um detalhe simples, mas incrível!) e no discreto piercing no nariz. Juntando isso tudo ao tênis e à mochila, ela estava com uma pegada bem street, típico de uma estudante cheia de afazeres.

 

Foto: Luana Ribeiro

 

O palpite de “estudante cheia de afazeres” veio também da pressa com que a moça saía do campus de Ondina da UFBA. E eu acertei: ela faz Dança lá – e em outras lugares também. Inaê faz parte da Cia Obcena de Arte . Ela me convidou para conferir, em breve um evento especial que eles vão organizar, uma intervençaõ urbana,o Observatório de Perfomances, que vai rolar nos dias 24 e 25 de junho, no centro da cidade. Quem quiser mais detalhes é só dá uma clicada no link ali em cima.

“Acho que me visto assim para causar, para as pessoas saberem que eu sou uma artista. Como trabalho com arte de rua, é legal as pessoas olharem e não verem uma passante qualquer”, afirma ela. Tá certo – não à toa, ela veio parar aqui no blog. Mas falando de seu visual, acabei não contando uma das coisas que mais me surpreenderam nela: o nome. Inaê, para quem não sabe, é uma das formas de chamar Iemanjá. E se a música nos leva a prestar atenção no canto da sereia, por aqui, o negócio é sua dança.  

 

 

O rei da rua

Foto: Luana Ribeiro

Cantando um refrão impublicável, acompanhado de umas 15 estudantes repetindo atrás. Essa foi a primeira visão que tive de Carlos Brito Silva (26), o Ném. A trilha sonora era nada mais, nada menos que um sucesso de duplo sentido da banda de pagode Saiddy Bamba. Provavelmente, aliás, ele já deve ter a coreografia na ponta dos pés, afinal, Ném é dançarino e  ensaia com duas galeras diferentes os sucessos do pagode, “pra chegar nas festas quebrando”. Mas para ganhar dinheiro, ele faz “uns bicos aí na Sete Portas”, conta cheio de ginga, como quem bem sabe dançar conforme a música.

A dança, diga-se de passagem, é o que mais faz brilhar o olho de Ném – que só é marrento na a foto, mas é todo sorridente – e não à toa, comanda também o seu visual. “Eu me visto assim ou de basqueteiro. Essas marcas tipo Cyclone deixei de usar, porque no shopping os seguranças ficam implicando “. O look de hoje foi escolhido “por causa da cor”, mas também por ser confortável “demais” para dançar, ele me conta.

Eu particularmente gosto das cores do Brasil, das chaves penduradas no pescoço e, principalmente da caixa de som de mp3 portátil, devidamente acompanhado do controle (!), que me lembrou o pessoal do break com o indefectível radiogravador sobre os ombros.

Foto: Luana Ribeiro

Ném ilustra como a influência do movimento black é presente na cidade, principalmente nos bairros de periferia, que está na roupa com inspiração no basquete; na música (“eu ouço hip-hop, pagode”) e nos costumes (o mp3 speaker é um exemplo). A diferença, nesse caso está no dispositivo, que evoluiu tecnologicamente – mas que retoma o design e o uso de antes. “Eu ando pra cima e pra baixo com ele”, diz risonho, justificando: “eu sou pagodeiro, né?”.

Enquanto a gente conversava, as meninas de lá do início do post seguiram para a escola. Mas não ficamos em paz: a todo momento paravam grupos de estudantes amigos dele, conhecidos acenavam de moto, gritavam seu nome. “Todo mundo me conhece, eu sou muito querido por aqui. Na linguagem da malandragem, eu sou o frente”,  anuncia professoral, e explica: “o frente é o que ajuda a galera. Eu ajudo todo mundo aí do ICEIA (cujas paredes grafitadas estão ao fundo), do Getúlio; como sou o mais velho, resolvo os problemas…”. Na moda, na dança ou na prosa, Ném é o rei da rua.

Moda com sotaque

Ontem fui ver a tradicional procissão de Monte Santo, que fica a 352 Km de Salvador. Às 4h da manhã, as matracas anunciam o início do percurso pelo pedregoso e íngreme Caminho de Santa Cruz, com cerca de 4 Km através da Serra do Piquaraçá, trazendo na volta as imagens do Senhor Morto, São João Evangelista e Nossa Senhora da Soledade para a Igreja Matriz.
 
Depois de todo essa verdadeira via-crúcis, encontrei a tímida Stephany (15) e a faladeira Jôh (16), conversando na praça. Como esta mesmo disse, elas “se vestem como as baianas, de shortinho e tênis”. Não qualquer shortinho, nem qualquer tênis, é claro – isso fica claro no All Star de cano alto e cadarço rosa de Stephany e no seu short de cintura alta, verdadeira coqueluche, pelo menos em Salvador.  
Foto: Luana Ribeiro

As tendências chegam onde menos se espera. “A gente lê muito as revistas de moda, mas aqui em Monte Santo não dá para usar tudo que vê, senão vão chamar a gente de ridícula”, explica Jôh com seu sotaque característico. Interessante ver como as pessoas se apropriam da moda e adaptam ao clima da cidade e ao seu estilo de vida. Penso que moda de rua é bem isso: local e universal ao mesmo tempo.

 
 

Todo mundo adora o Alexandre

Foto: Luana Ribeiro

Quando vi Alexandre das Neves, ágil com seus apenas 12 anos, em um posto de gasolina na Av. Luís Eduardo Magalhães, mil coisas me vieram na cabeça:  uma mistura de Chris com Marty McFly ao som de Jumpin’ Jack Flash . Quantas referências pop, vocês podem pensar. Mas é isso mesmo. O pequeno Alexandre é muito pop, mesmo que talvez não tenha consciência disso.

Talvez, eu digo, porque com sua pose aí em cima, todo malandrão, me faz pensar que ele tem sim, muita noção de estilo. Foi vê-lo e me apaixonar pela combinação de cores, o casaco inspirado nos agasalhos de times americanos (“Flying Crew Team – American League – Denver”) e o já velhinho tênis (Conga?). Mais pop impossível.

Alexandre sempre trabalha por ali, aos sábados e domingos, com seu irmão Gilmar, de 15 anos e o amigo Talisson William Silva Ferreira Nascimento dos Santos (UFA!), de 11 anos, que me fez, aliás, anotar seu nome completo na maior empolgação – “o meu é grande, moça”. Eles moram por perto, em São Gonçalo do Retiro, bairro em que, por sinal, está o famoso terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, de Mãe Stella de Oxóssi.

Alexandre, Talisson e Gilmar/Foto: Luana Ribeiro

Conversa vai, conversa vem, acabei reparando no coração flechado que Gilmar ostentava na cabeça. “Ele tá apaixonado!!!”, provocou Talisson. “Não, não, não tô não”, negou ele, envergonhado – mas pouco convincente. Esses desenhos no cabelo proliferam aqui em Salvador – há barbeiros e cabeleleiros experts nisso. Os black power já pintaram por aqui duas vezes, mas ainda tem as desenhos, as tranças… vamos vendo. 

Foto: Luana Ribeiro

Nepotismo – Ket Power

Foto: Luana Ribeiro

Te vejo na Vogue, Ket  😉

Essa moça está sempre elegante. Mas quando chegou hoje para aula, com esse vestidinho clássico e essa bolsa engraçada, chique e simples, não tive dúvida: tinha que fotográfa-la.

Olha a parte de baixo!
Foto: Luana Ribeiro

Carol Andrade, ou Ket, é minha amiga e tem esse blog aqui ó: Cabe na Bolsa.

Ela saca muito de moda, como vocês poderão ver no blog e na foto aí em cima. E é um exemplo de que esse espírito “fashionista” já chegou em Salvador, que muitos alardeiam como provinciana. Isso se comprova na moda de rua, com as pessoas “na tendência” e na quantidade de marcas que se instalaram na cidade nos últimos 3 anos como Zara, Farm, entre outras.

No entanto – e essa é uma das inspirações desse blog – os soteropolitanos tem uma maneira muito própria de se apropriar da correntes da moda que circulam por aí, por vários motivos: o clima, a condição social e a própria história daqui, que determinou a facilidade de aderir ou não a algo novo. De certa forma, acho que as lan houses, um fenômeno aqui em Salvador, ajudaram a incluir Salvador nos ciclos da moda. Com moderação, claro – aos poucos as pessoas estão ousando mais, “se montando” mais. Vamos ver os rumos dos acontecimentos.

 Por hoje se encerra o momento mimimi, rsrsrs

 

Nepotismo – National Kid

Foto: Luana Ribeiro

Inaugurando a seção “Nepotismo”, com pessoas que são minhas conhecidas (colegas, amigos, parentes) com quem encontro por aí, Cydo Silva, colega de jornalismo na Facom-UFBA, que tem um critério curioso para definir sua roupa do dia. “Eu me guio pelas cores que eu gosto: verde, azul…”. Hoje ele escolheu azul, verde e o grande destaque da meia amarela (as cores da nossa bandeira!), numa mistura improvável e interessantíssima, colorindo peças mais tradicionais. “Às vezes eu acho que vai ficar bizarro, mas depois penso que eu tenho que me sentir bem”. Justamente o que o Sotero Street Style busca: autenticidade.