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Nepotismo – Regra de três

Hoje teremos uma aula de matemática e assunto é regra de três – simples e composta! E antes que você pare de ler, será uma aula ilustrada, tá legal? Vamos lá!

Regra de três simples:

Considerando que:

Temos:

Foto: Luana Ribeiro
 
Deste modo, posso dizer que os looks de Alexandro Mota (21)Carol Andrade (21)  são proporcionais, concordam comigo? Só estão invertidos: suéter cinza claro e jeans azul escuro para ele e suéter cinza escuro e jeans azul claro para ela. Incrível coincidência, não?
 
Adorei essa complementação de meus queridos amigos, toda em tons neutros e clássicos. Não fica monótono, como vocês podem ver, mas tem um detalhe que faz toda a diferença. Aí entra a regra de três composta.
 
Composta de: camiseta básica + jeans + calçado estiloso. Veja o exemplo abaixo:
 
Foto: Luana Ribeiro

Enquanto o tênis de couro de Alê fecha o look “Oskar Metsavaht“, phyno, como dizem por aí, a espadrilha listrada de turquesa (uma graça!) traz tropicalismo ao visual Flash Dance de nossa amiga Ket. No caso dela, a dobradinha tropical+contemporâneo (olha a adição) se repete nos acessórios.

Foto: Luana Ribeiro

 A turquesa, que lembra o nosso céu anil, se desdobra na pedra grande do anel e na espadrilha. As linhas urbanas do relógio prateado reforçam a base do visual.

Foto: Luana Ribeiro

Copiou? Agora é só fazer a lição de casa!

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Estilo Curinga

Foto: Luana Ribeiro

 “Uma forma de se libertar dos padrões”. É assim que a pernambucana Isabel Freitas (30), define sua relação com a moda. Dá para ver isso facilmente em seu visual, misturado e confortável, bem street mesmo.Gosto especialmente da combinação do tênis com a saia florida, em tons de rosa diferentes.

Liberdade aliás é tema fundamental em sua vida já que ela é coringa(ou curinga) do Teatro do Oprimido, método teatral criado por Augusto Boal nos anos 70, que pretende usar o teatro para promover mudanças na sociedade, no qual os oprimidos sejam incentivados a lutar por sua evolução. Nesse contexto aí, o coringa é um personagem distanciado que pode subverter as cenas, pedir para serem feitas de modo diferente, de modo a ressaltar um certo ponto de vista. Ele tem a função de um orientador. Isabel trabalha com a ONG CEIFAR, que em Salvador, atua na comunidade de Beiru/Tancredo Neves.

Foto: Luana Ribeiro

Buscando cada vez mais se capacitar, ela estuda Pedagogia na Ucsal, um curso que definitivamente tem muito a ver com o trabalho que ela desenvolve. Nessa onda de liberdade, Isabel também carrega no braço uma tatuagem de um sabiá-laranjeira, que é a ave símbolo do Brasil. Muito apropriado, não é?

Foto: Luana Ribeiro

Porque moda também é terapia

Foto: Luana Ribeiro

Posturologia e Cinesiologia Clínica de Brunnstrom. Esses são os títulos que Luciano Guedes (23) carrega na foto aí em cima, como um bom estudante de fisioterapia que é. Poderia ser algo relacionado à moda, mas ele esclarece: “tem a ver comigo, mas eu gosto mesmo é da área de saúde”.

Isso não impede, é claro, que ele use seu próprio corpo para expressar seu gosto por moda. Achei muito criativo o look branco total típico de estudantes dessa área, aditivado pelo modelo da calça, pela echarpe cinza e pelo casaco em off-white – acho essa cor, aliás, chiquérrima e quebra qualquer monotonia de um look todo branco. E é tendêeencia para o inverno 2011  .

Foto: Luana Ribeiro

 

Tão antenado assim, Luciano conta que sua principal referência é o que vê na tv, nos figurinos das novelas. Essas informações são aliadas ao clima, “esse mudar de estação o tempo todo” bem característico de Salvador. Outras fontes são duas amigas que estudam Design de Moda lá na Faculdade da Cidade – um dos poucos cursos de graduação em moda da Bahia, aliás – e a recíproca é verdadeira: “elas também pescam algumas coisas de mim, me fazem de cobaia”.

Olha aí, cobaia também não é coisa da área de saúde? Pronto. Para voltar à fisioterapia, não sei se o moço já está expert em posturologia – mas postura ele tem de sobra.

Degradê

Foto: Luana Ribeiro

 – Venha cá! Diga a ela minha relação com a fotografia?

– Nenhuma!

Foi apelando para sua linda filha Gabriela (10), que Márcia Souza, de inacreditáveis 50 anos, tentou escapar das minhas lentes, lá no Salvador Shopping. Ainda bem, não adiantou nada!

– Vai mãe, finge que não tá acontecendo nada…!!

A discrição de Márcia transparece em seu visual básico – mas interessantíssimo. Gosto da gradação de tons escuros que começa com o cinza-claro da blusa (alegrada por grafismo amarelo), passando pelo grafite da saia e chegando às meias e tênis quase pretos.

Foto: Luana Ribeiro

 

O toque da echarpe – cinza-escura! – foi indicação de Gabriela, como ela mesma entrega: “eu que disse para ela trocar a blusa e colocar a echarpe”.

Foto: Luana Ribeiro

Apesar da elegância, Márcia nega que suas escolhas sejam influenciadas pela moda. O que mais a influencia são os termômetros: ela sente muito frio. Ao ar-condicionado da clínica – Márcia é médica gastroenterologista – e ao friozinho que aos poucos chega a Salvador, devemos agradecer por essa combinação inspirada de tênis e meias opacas (adoro meias opacas), echarpe e  tons invernais.

E a sua Gabriela, agradeço a força para convencer a mamãe a posar. Valeu Gabi!

Gabriela e Márcia, formando um lindo degradê. Foto: Luana Ribeiro

Nepotismo – Junior Figueiroa

 

Foto: Luana Ribeiro

“Antenado”. É assim que Junior Figueiroa (17) define seu estilo. Isso não se aplica somente à moda, faço questão de ressaltar, afinal meu colega de trabalho é também ligadíssimo quando o assunto é profissional, que o diga nosso chefe.

Foto: Luana Ribeiro

Acho ele uma figuuura. Sempre sabe de tudo, tem opinião sobre tudo, e é muito querido por aqui. Daquelas pessoas que sempre chamam atenção no ambiente, e isso deve-se também ao visual, claro. Hoje, ele estava numa mistura total de cores (amarelo, vermelho, laranja, bege e azul) e de estilo (meio mauricinho, meio descolado). “Adoro camiseta de gola V”, ri ele, dizendo o item que é sua marca registrada. Faltaram os wayfarer coloridos , sempre presentes em seus looks e que são uma verdadeira febre em Salvador, vendendo às pencas nas óticas… e nos camelôs. “Procuro estar informado e me inspiro muito no que vejo na televisão”. Mas tudo que sua antena capta, o coração não necessariamente captura: “Eu gosto de ser diferente”, afirma.

Moda com sotaque

Ontem fui ver a tradicional procissão de Monte Santo, que fica a 352 Km de Salvador. Às 4h da manhã, as matracas anunciam o início do percurso pelo pedregoso e íngreme Caminho de Santa Cruz, com cerca de 4 Km através da Serra do Piquaraçá, trazendo na volta as imagens do Senhor Morto, São João Evangelista e Nossa Senhora da Soledade para a Igreja Matriz.
 
Depois de todo essa verdadeira via-crúcis, encontrei a tímida Stephany (15) e a faladeira Jôh (16), conversando na praça. Como esta mesmo disse, elas “se vestem como as baianas, de shortinho e tênis”. Não qualquer shortinho, nem qualquer tênis, é claro – isso fica claro no All Star de cano alto e cadarço rosa de Stephany e no seu short de cintura alta, verdadeira coqueluche, pelo menos em Salvador.  
Foto: Luana Ribeiro

As tendências chegam onde menos se espera. “A gente lê muito as revistas de moda, mas aqui em Monte Santo não dá para usar tudo que vê, senão vão chamar a gente de ridícula”, explica Jôh com seu sotaque característico. Interessante ver como as pessoas se apropriam da moda e adaptam ao clima da cidade e ao seu estilo de vida. Penso que moda de rua é bem isso: local e universal ao mesmo tempo.

 
 

Todo mundo adora o Alexandre

Foto: Luana Ribeiro

Quando vi Alexandre das Neves, ágil com seus apenas 12 anos, em um posto de gasolina na Av. Luís Eduardo Magalhães, mil coisas me vieram na cabeça:  uma mistura de Chris com Marty McFly ao som de Jumpin’ Jack Flash . Quantas referências pop, vocês podem pensar. Mas é isso mesmo. O pequeno Alexandre é muito pop, mesmo que talvez não tenha consciência disso.

Talvez, eu digo, porque com sua pose aí em cima, todo malandrão, me faz pensar que ele tem sim, muita noção de estilo. Foi vê-lo e me apaixonar pela combinação de cores, o casaco inspirado nos agasalhos de times americanos (“Flying Crew Team – American League – Denver”) e o já velhinho tênis (Conga?). Mais pop impossível.

Alexandre sempre trabalha por ali, aos sábados e domingos, com seu irmão Gilmar, de 15 anos e o amigo Talisson William Silva Ferreira Nascimento dos Santos (UFA!), de 11 anos, que me fez, aliás, anotar seu nome completo na maior empolgação – “o meu é grande, moça”. Eles moram por perto, em São Gonçalo do Retiro, bairro em que, por sinal, está o famoso terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, de Mãe Stella de Oxóssi.

Alexandre, Talisson e Gilmar/Foto: Luana Ribeiro

Conversa vai, conversa vem, acabei reparando no coração flechado que Gilmar ostentava na cabeça. “Ele tá apaixonado!!!”, provocou Talisson. “Não, não, não tô não”, negou ele, envergonhado – mas pouco convincente. Esses desenhos no cabelo proliferam aqui em Salvador – há barbeiros e cabeleleiros experts nisso. Os black power já pintaram por aqui duas vezes, mas ainda tem as desenhos, as tranças… vamos vendo. 

Foto: Luana Ribeiro