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Sansão e Dalila?

Foto: Luana Ribeiro

De um banco atrás de Marcos (20), pude ver a extensão dos cachos do rapaz, que desciam enroladinhos até quase o meio das costas. Intrigada com o penteado diferente, não resisti a perguntar de onde tinha vindo a inspiração. “Minha mãe tem o cabelo igual ao meu, aí eu deixei crescer…”, conta ele, que há 1 ano e meio cultiva as madeixas, que com certeza são a força do seu visual.

Foto: Luana Ribeiro

E falando em cabelo, um acessório que, com o perdão do trocadilho, está fazendo a cabeça das meninas é o lenço. Dia desses a lisboeta Sofia Andrade (21) usou de forma muito graciosa:

Foto: Luana Ribeiro

Gosto da forma que Sofia amarrou, simples e desprentensiosa: apenas um fofo laçarote na cabeça, jogado para o lado. Na cabeça das celebridades e na blogosfera, a quantidade de formas de usar mostram que o lenço é teindêeeiincia  também para este verão 2012.

Neston?

Outro detalhe interessante no look de Sofia foram s unhas combinando com uma das bolinhas do lenço. Um capricho só!

Foto: Luana Ribeiro

 

 

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Nepotismo – Regra de três

Hoje teremos uma aula de matemática e assunto é regra de três – simples e composta! E antes que você pare de ler, será uma aula ilustrada, tá legal? Vamos lá!

Regra de três simples:

Considerando que:

Temos:

Foto: Luana Ribeiro
 
Deste modo, posso dizer que os looks de Alexandro Mota (21)Carol Andrade (21)  são proporcionais, concordam comigo? Só estão invertidos: suéter cinza claro e jeans azul escuro para ele e suéter cinza escuro e jeans azul claro para ela. Incrível coincidência, não?
 
Adorei essa complementação de meus queridos amigos, toda em tons neutros e clássicos. Não fica monótono, como vocês podem ver, mas tem um detalhe que faz toda a diferença. Aí entra a regra de três composta.
 
Composta de: camiseta básica + jeans + calçado estiloso. Veja o exemplo abaixo:
 
Foto: Luana Ribeiro

Enquanto o tênis de couro de Alê fecha o look “Oskar Metsavaht“, phyno, como dizem por aí, a espadrilha listrada de turquesa (uma graça!) traz tropicalismo ao visual Flash Dance de nossa amiga Ket. No caso dela, a dobradinha tropical+contemporâneo (olha a adição) se repete nos acessórios.

Foto: Luana Ribeiro

 A turquesa, que lembra o nosso céu anil, se desdobra na pedra grande do anel e na espadrilha. As linhas urbanas do relógio prateado reforçam a base do visual.

Foto: Luana Ribeiro

Copiou? Agora é só fazer a lição de casa!

Epá Babá

Foto: Luana Ribeiro

Modelo ou esportista. Fiz uma aposta comigo quando Alberto Alves (26) entrou no mesmo ônibus onde eu estava. Minha intuição ainda dizia: será que ele é filho de Oxalá? Resultado: 1,5 x 0 para mim. Ele foi modelo – agora, formado em Dança, trabalha em um hotel do litoral norte – e sim, é filho de Oxalá, o orixá da criação.

Para o segundo acerto, nem foi preciso ser muito esperta, afinal, branco (e azul) é a cor desse orixá. Mas seu dia não é sexta? “Se deixar, me visto todo dia de branco”, riu ele, sabendo que o hábito faz o monge, ou melhor, o iaô. Vestido em feitio de oração, acrescentou alguns detalhes que de tão pequenos, dão um charme ao look Omo: óculos escuros, black descolorido e pulseira prateada. Um visual básico, que passa essa tranquilidade. “Me identifico com Oxalá, mas meu jeito é bem louco, ao contrário do temperamento dele. Nem sempre tem a ver”, adverte.

O charminho da pulseira prateada... Foto: Luana Ribeiro
...e do black com pontas descoloridas. Foto: Luana Ribeiro

No caso de Alberto, a monocromia tem origens meio religiosas, qualquer um pode desfrutar do efeito do branco total. Além do frescor visual e tátil, confere uma elegância incrível, pelo minimalismo e por alongar a silhueta. Não que ele precise de alongamentos; eu não medi, mas o moço deve ultrapassar 1,95m tranquilamente!

Por falar em altura, por fim ele me conta que seu orixá também tem um “acessório”: o opaxorô, um cajado com o qual, no início dos tempos, Oxalá separou os céus e a Terra, que estavam no mesmo nível de existência. O cajado está dividido em 9 partes, que representam os 9 níveis de existência – haja céu! O que pode representar uma indumentária, não é verdade?

Em tempo: Epá Babá é a saudação de Oxalá.

Tempo bom

“Logo hoje que eu tô de vermelho, é dia de Iansã”, riu Débora Alcântara (30), com a coincidência sagrada. Porque aqui em Salvador, muita gente se veste de acordo com o seu orixá de cabeça. Não é o caso de Débora. A semelhança com a Rainha dos Raios é a influência do seu clima. “Eu me visto pelo meu humor”, esclareceu ela, entre tempo bom e tempo ruim. Pelo seu visual coloridíssimo, deve estar com o astral lá em cima!

Foto: Luana Ribeiro

Falando em coincidências, descubro que estudou na Facom (UFBA), como esta foca que vos fala, e é jornalista do A Tarde . “Comunicação? Ah, vai ser nossa colega”. Eu deveria ter imaginado – a interceptei bem perto da saída do jornal, depois de tê-la visto passar entre a pequena multidão que sai da passarela e dos pontos de ônibus da região. E não tinha como não ter visto, com a combinação quase mexicana de vermelho e amarelo.

Depois, já conversando com ela, fui vendo os detalhes: espadrilhas (tendência que deve prosseguir no verão 2012),  colar e anel azul, a bolsa grandona com estampa tropical e a saia também estampada. Apenas descrevendo, pode parecer um verdadeiro carnaval, mas tem toda uma sutileza da coordenação de cores. O vermelho (liso e mais fechado) e o azul aparecem nas florzinhas da saia, a bolsa tem fundo preto, as bijuterias são super discretas e as espadrilhas são de um modelo clássico. Ao contrário do que ela imagina, duvido que pensem mal do seu look.

Um exemplo é a saia, grande destaque da produção. Além de linda, é dupla face. “A última vez que usei essa saia, foi pelo lado de dentro”. E adivinha a cor predominante? Azul – como as flores, o anel e o colar – se insinuando por baixo do amarelo. Deixa que digam que é Carnaval. A moça entende do samba.

Foto: Luana Ribeiro

Rockwell Street Style

Foto: Luana Ribeiro

 A arte imita a vida. Ou a arte imita a vida?

A polêmica é velha, tanto como o ovo e a galinha. Mas me questionei sobre isso quando vi Monique dos Santos (7), que vi na Estação Pirajá, diáfana na contraluz, parecendo ter saído diretamente desta ilustração de Norman Rockwell.

Monique, ou melhor, a mãe dela, fez algumas adaptações “tropicais”: a estampa de flores do vestido lavanda – uma graça, esse tom – as flores em cores vivas em chuquinhas na cabeça e sandálias, claro. Mas a semelhança estava no estilo old school de Monique. Adoro ver criança vestida de criança!

Foto: Luana Ribeiro
Foto: Luana Ribeiro
  
Um detalhe interessante é que Rockwell fazia suas ilustrações baseadas em fotos em pb, colorindo  a seu critério e modificando as cenas, acrescentando ou retirando elementos de acordo com sua imaginação. Seus personagens, portanto, vinham da realidade – ao mesmo tempo que seus desenhos criaram um imaginário muito específico para todos que veêm suas ilustrações. Provavelmente nem ela e sua mãe conhecem o trabalho de Rockwell (quem sabe, né?). Não foi ele que inventou o estilo dos seus personagens, mas retratando-os, ele os transformou em uma fantasia pessoal, que acaba inspirando quem conhece seu trabalho. Retomar esse universo é ser retrô. Na moda, é um movimento interessante e muitíssimo comum atualmente. Mas ser retrô sem querer é um encanto. Foi isso que vi em Monique.

O nome Real

Depois de um longo tempo (15 diaas!!) sem postar nada, já chego fazendo uma confissão. Andei longe esse período devido a alguns problemas – técnicos, vá lá – e ando com a cabeça oca, oca. Tão oca que acabei esquecendo o nome completo dessa moça aqui em baixo (imperdoável). Lembro que era Daiana – não esqueci tudo, talvez por causa sua xará, também muito entendida de elegância.

Foto: Luana Ribeiro

Tal qual a de lá, a nossa lady aqui também tem um estilo básico e clássico. Gosto bastante. Chamou minha atenção por pequenos detalhes que tornam a roupa interessante – cinto de lacinho, o relógio classicíssimo e brilhante e a pegada “alfaiataria” da calça cenoura (adoro a textura do tecido e os “punhos”).

Foto: Luana Ribeiro

Um ótimo look para trabalhar e ficar chique (encontrei Daiana saindo do Salvador Shopping, que fica na região do Iguatemi, cheio de escritórios, bancos).”Eu gosto de moda, mas gosto de um estilo confortável, básico”. Básica, é verdade. Mas o seu diferencial é um frescor: cabelos soltos, pouco (ou nada de maquiagem), uma certa alegria jovem. Quem fotografa street style, creio, está em busca disso. De uma coisa que transcende só a roupa. No caso dela, vi essa altivez com doçura, mistura difícil de achar. Porte e (pre)nome nobre, ela tem. Só falta saber seu nome real (coloca aí nos comentários, Daiana!)

ADENDO: Aí que dia desses eu vi um post muito engraçado da Garance Doré , em que ela ironiza essa coisa da moda de rua, dando dicas para quem quer figurar nos blogs da vida –  e ela saca da coisa, afinal ela mesmo fotografa e namora The boss Scott Schuman, o maior nome da fotografia street style. Vale a pena a leitura (tá em inglês, nada que são google não resolva).

Estilo Curinga

Foto: Luana Ribeiro

 “Uma forma de se libertar dos padrões”. É assim que a pernambucana Isabel Freitas (30), define sua relação com a moda. Dá para ver isso facilmente em seu visual, misturado e confortável, bem street mesmo.Gosto especialmente da combinação do tênis com a saia florida, em tons de rosa diferentes.

Liberdade aliás é tema fundamental em sua vida já que ela é coringa(ou curinga) do Teatro do Oprimido, método teatral criado por Augusto Boal nos anos 70, que pretende usar o teatro para promover mudanças na sociedade, no qual os oprimidos sejam incentivados a lutar por sua evolução. Nesse contexto aí, o coringa é um personagem distanciado que pode subverter as cenas, pedir para serem feitas de modo diferente, de modo a ressaltar um certo ponto de vista. Ele tem a função de um orientador. Isabel trabalha com a ONG CEIFAR, que em Salvador, atua na comunidade de Beiru/Tancredo Neves.

Foto: Luana Ribeiro

Buscando cada vez mais se capacitar, ela estuda Pedagogia na Ucsal, um curso que definitivamente tem muito a ver com o trabalho que ela desenvolve. Nessa onda de liberdade, Isabel também carrega no braço uma tatuagem de um sabiá-laranjeira, que é a ave símbolo do Brasil. Muito apropriado, não é?

Foto: Luana Ribeiro