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Estilo Curinga

Foto: Luana Ribeiro

 “Uma forma de se libertar dos padrões”. É assim que a pernambucana Isabel Freitas (30), define sua relação com a moda. Dá para ver isso facilmente em seu visual, misturado e confortável, bem street mesmo.Gosto especialmente da combinação do tênis com a saia florida, em tons de rosa diferentes.

Liberdade aliás é tema fundamental em sua vida já que ela é coringa(ou curinga) do Teatro do Oprimido, método teatral criado por Augusto Boal nos anos 70, que pretende usar o teatro para promover mudanças na sociedade, no qual os oprimidos sejam incentivados a lutar por sua evolução. Nesse contexto aí, o coringa é um personagem distanciado que pode subverter as cenas, pedir para serem feitas de modo diferente, de modo a ressaltar um certo ponto de vista. Ele tem a função de um orientador. Isabel trabalha com a ONG CEIFAR, que em Salvador, atua na comunidade de Beiru/Tancredo Neves.

Foto: Luana Ribeiro

Buscando cada vez mais se capacitar, ela estuda Pedagogia na Ucsal, um curso que definitivamente tem muito a ver com o trabalho que ela desenvolve. Nessa onda de liberdade, Isabel também carrega no braço uma tatuagem de um sabiá-laranjeira, que é a ave símbolo do Brasil. Muito apropriado, não é?

Foto: Luana Ribeiro

Degradê

Foto: Luana Ribeiro

 – Venha cá! Diga a ela minha relação com a fotografia?

– Nenhuma!

Foi apelando para sua linda filha Gabriela (10), que Márcia Souza, de inacreditáveis 50 anos, tentou escapar das minhas lentes, lá no Salvador Shopping. Ainda bem, não adiantou nada!

– Vai mãe, finge que não tá acontecendo nada…!!

A discrição de Márcia transparece em seu visual básico – mas interessantíssimo. Gosto da gradação de tons escuros que começa com o cinza-claro da blusa (alegrada por grafismo amarelo), passando pelo grafite da saia e chegando às meias e tênis quase pretos.

Foto: Luana Ribeiro

 

O toque da echarpe – cinza-escura! – foi indicação de Gabriela, como ela mesma entrega: “eu que disse para ela trocar a blusa e colocar a echarpe”.

Foto: Luana Ribeiro

Apesar da elegância, Márcia nega que suas escolhas sejam influenciadas pela moda. O que mais a influencia são os termômetros: ela sente muito frio. Ao ar-condicionado da clínica – Márcia é médica gastroenterologista – e ao friozinho que aos poucos chega a Salvador, devemos agradecer por essa combinação inspirada de tênis e meias opacas (adoro meias opacas), echarpe e  tons invernais.

E a sua Gabriela, agradeço a força para convencer a mamãe a posar. Valeu Gabi!

Gabriela e Márcia, formando um lindo degradê. Foto: Luana Ribeiro

Nepotismo – Tarsilla Alvarindo

Foto: Luana Ribeiro

Desde o início do curso acho Tarsila Alvarindo uma menina muito estilosa. Menina, sim, porque 27 anos – com esse corpinho de 15 – é ainda fevereiro na vida. De mulher, Tarsila tem a elegância e a responsabilidade de ser empreendedora. Mas escolhi hoje para mostrar o visual dela porque além de resumir bastante seu estilo, tem muitas características interessantes. Uma delas é as texturas que alegram o look escuro.

Vamos começar do começo (sic): do pé. A sapatilha dourada funciona como ponto de cor, e uma cor sofisticada e incomum, ressalte-se. A sofisticação, ela esclarece, aliás, não necessariamente tem a ver com dinheiro. “Eu tenho várias peças baratas, não uso só grife. É só ter olho”, arregala os olhos, fazendo metáfora sem querer.

Foto: Luana Ribeiro

A saia, meio godê, de bolinhas e com um laço arrematando a frente dá o toque “menininha”, quebrado pelo tom sóbrio. O casaco de corações brancos traz uma das coisas que eu mais adoro na moda de rua que é a mistura de estampas. Amarrado como echarpe, fecha-se uma combinação elegante.

Nota-se que Tarsila tem informação de moda, mas ela reitera: “nem tudo que é tendência eu gosto e uso”. Sua maior inspiração é o seu espírito no dia, que pode estar mais para o despojado, étnico ou classudo. Às vezes, por trabalhar com assessoria de comunicação, volta e meia precisa estar mais arrumada. “Meu namorado diz que eu devia ter alguns terninhos e eu respondo: alô-ô, terninho não existe”, ri, sabendo que se vira muito bem sem o famigerado look executivo: “consigo ficar arrumada e manter o meu estilo”.

Souvenir

Foto: Luana Ribeiro

Por pouquíssimo, Saulo Maciel (23), em vez de estar aqui no Sotero Street Style estaria figurando no BH Moda de Rua (vale a visita). Isto porque este baiano de Bom Jesus da Lapa está morando em Belo Horizonte – e chegou recentemente do Canadá – mas, um empurrãozinho do destino o trouxe para uma passada em Salvador, para visitar a prima e  a tia, que estavam com ele quando o encontrei.

Falante e desembaraçado, Saulo sabe que chama a atenção. “Eu adoro usar saia”, afirma, de um jeito que deixa claro que não está nem aí para possíveis olhares tortos. E tortos ou diretos, eles foram muitos, enquanto descíamos a passarela do Salvador Shopping.  Ele também tira de letra a dificuldade de encontrar suas peças, encomendando os modelos que idealiza a uma costureira ou fuçando em brechós, atrás de uma saia que caiba em seu corpo.

Tanta novidade e criatividade não é à toa: ele é ilustrador e designer gráfico. “A gente chega na faculdade e encontra vários tipos de pessoa, designer de moda, designer de produto. Aí começa a ver as coisas: ‘isso eu gosto, isso eu também gosto’. Porque não usar, né?”, explica Saulo, em relação às referências que influenciam seu estilo.

Para completar, perguntei que inspirações ele trouxe na bagagem, na volta do Canadá, no que ele prontamente me respondeu que foi a coragem de usar looks diferentes sem se importar com a opinião alheia. “Se você usa uma roupa que você gosta com medo, as pessoas vão te zoar. Mas se você usa com segurança, elas podem olhar e até quem sabe se adaptar ao que estão vendo”. Eis aí uma lembrança de viagem duradoura. “Tudo é uma questão de postura”, finaliza, confiante.