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Degradê

Foto: Luana Ribeiro

 – Venha cá! Diga a ela minha relação com a fotografia?

– Nenhuma!

Foi apelando para sua linda filha Gabriela (10), que Márcia Souza, de inacreditáveis 50 anos, tentou escapar das minhas lentes, lá no Salvador Shopping. Ainda bem, não adiantou nada!

– Vai mãe, finge que não tá acontecendo nada…!!

A discrição de Márcia transparece em seu visual básico – mas interessantíssimo. Gosto da gradação de tons escuros que começa com o cinza-claro da blusa (alegrada por grafismo amarelo), passando pelo grafite da saia e chegando às meias e tênis quase pretos.

Foto: Luana Ribeiro

 

O toque da echarpe – cinza-escura! – foi indicação de Gabriela, como ela mesma entrega: “eu que disse para ela trocar a blusa e colocar a echarpe”.

Foto: Luana Ribeiro

Apesar da elegância, Márcia nega que suas escolhas sejam influenciadas pela moda. O que mais a influencia são os termômetros: ela sente muito frio. Ao ar-condicionado da clínica – Márcia é médica gastroenterologista – e ao friozinho que aos poucos chega a Salvador, devemos agradecer por essa combinação inspirada de tênis e meias opacas (adoro meias opacas), echarpe e  tons invernais.

E a sua Gabriela, agradeço a força para convencer a mamãe a posar. Valeu Gabi!

Gabriela e Márcia, formando um lindo degradê. Foto: Luana Ribeiro

Nepotismo – Tarsilla Alvarindo

Foto: Luana Ribeiro

Desde o início do curso acho Tarsila Alvarindo uma menina muito estilosa. Menina, sim, porque 27 anos – com esse corpinho de 15 – é ainda fevereiro na vida. De mulher, Tarsila tem a elegância e a responsabilidade de ser empreendedora. Mas escolhi hoje para mostrar o visual dela porque além de resumir bastante seu estilo, tem muitas características interessantes. Uma delas é as texturas que alegram o look escuro.

Vamos começar do começo (sic): do pé. A sapatilha dourada funciona como ponto de cor, e uma cor sofisticada e incomum, ressalte-se. A sofisticação, ela esclarece, aliás, não necessariamente tem a ver com dinheiro. “Eu tenho várias peças baratas, não uso só grife. É só ter olho”, arregala os olhos, fazendo metáfora sem querer.

Foto: Luana Ribeiro

A saia, meio godê, de bolinhas e com um laço arrematando a frente dá o toque “menininha”, quebrado pelo tom sóbrio. O casaco de corações brancos traz uma das coisas que eu mais adoro na moda de rua que é a mistura de estampas. Amarrado como echarpe, fecha-se uma combinação elegante.

Nota-se que Tarsila tem informação de moda, mas ela reitera: “nem tudo que é tendência eu gosto e uso”. Sua maior inspiração é o seu espírito no dia, que pode estar mais para o despojado, étnico ou classudo. Às vezes, por trabalhar com assessoria de comunicação, volta e meia precisa estar mais arrumada. “Meu namorado diz que eu devia ter alguns terninhos e eu respondo: alô-ô, terninho não existe”, ri, sabendo que se vira muito bem sem o famigerado look executivo: “consigo ficar arrumada e manter o meu estilo”.

Meio bossa nova, meio rock and roll

Foto: Luana Ribeiro

Você diria que esta garota, que calmamente lê um livro em um banquinho lá no Instituto de Letras, é a DJ Paranóia?

Nem eu.

Esse não a única antítese de Marina Vieira (18). Baseada em seu visual rocker (olha a camiseta “God Save the Queen”, o preto, uma pegada meio andrógina, de calça e tênis masculinos), perguntei o que ela costuma ouvir: “eletrônico, rock, bossa nova…”  Imagina só, quanta diversidade! Outras influências de Marina são as coisas que ela via em Lisboa, onde viveu por muitos anos.

Foto: Luana Ribeiro

Mais de Marina, não sei. Super tímida, de poucas palavras, ela fala mais através de sua postura e de seu estilo. E da música também. Vai lá: twitter.com/djparanoiaprod

Viúvas almodovarianas

É muito comum a metáfora do “Noivo” para explicar a relação da igreja com Jesus Cristo. Claro que não é noivo no sentido carnal, além da “Noiva” representar toda a igreja – porém, o amor das beatas muitas vezes lembra uma paixão humana.

Quando o noivo morre, a noiva vira viúva, certo? Na sexta-feira, em Monte Santo, fiquei impressionada com esta senhora, compungida e altiva carregava o caixão do Senhor Morto, como uma viúva almodovariana.

Foto: Luana Ribeiro

Toda de negro, bolsa chamativa, arrematada com o lenço vermelho e amarelo no pescoço, scarpin alto e_ como um viúva que se preze_ grandes óculos escuros, ela me chamou atenção com seu misto de devoção e orgulho da sua fé.

Foto: Luana Ribeiro

Depois dela, já na Matriz, vi outra viuvinha, tão dedicada quanto, recolhida em seu luto – sempre ao pé do caixão do Senhor Morto. O detalhe “Almodóvar”, que enfeita o preto total: a transparência.

Foto: Luana Ribeiro

Nesses casos, até pelo respeito que a situação exige, o estilo não parece ser intencional, e sim resultado da diligência e da “paixão” com que essas fiéis levam seu ofício. Mas, obviamente, é digno de nota. Fica o registro.

Nepotismo – Ket Power

Foto: Luana Ribeiro

Te vejo na Vogue, Ket  😉

Essa moça está sempre elegante. Mas quando chegou hoje para aula, com esse vestidinho clássico e essa bolsa engraçada, chique e simples, não tive dúvida: tinha que fotográfa-la.

Olha a parte de baixo!
Foto: Luana Ribeiro

Carol Andrade, ou Ket, é minha amiga e tem esse blog aqui ó: Cabe na Bolsa.

Ela saca muito de moda, como vocês poderão ver no blog e na foto aí em cima. E é um exemplo de que esse espírito “fashionista” já chegou em Salvador, que muitos alardeiam como provinciana. Isso se comprova na moda de rua, com as pessoas “na tendência” e na quantidade de marcas que se instalaram na cidade nos últimos 3 anos como Zara, Farm, entre outras.

No entanto – e essa é uma das inspirações desse blog – os soteropolitanos tem uma maneira muito própria de se apropriar da correntes da moda que circulam por aí, por vários motivos: o clima, a condição social e a própria história daqui, que determinou a facilidade de aderir ou não a algo novo. De certa forma, acho que as lan houses, um fenômeno aqui em Salvador, ajudaram a incluir Salvador nos ciclos da moda. Com moderação, claro – aos poucos as pessoas estão ousando mais, “se montando” mais. Vamos ver os rumos dos acontecimentos.

 Por hoje se encerra o momento mimimi, rsrsrs