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Ceci n’est pas une pantalon Restart

Foto: Luana Ribeiro

 Tradução: Isso não é uma calça “Restart”.

Isso é uma calça “Léo Santana“, de acordo com Cristofer de Oliveira (23), que diz ser o cantor sua grande inspiração no visual. Não é a primeira vez que um vocalista de pagode aparece por aqui como referência de moda, mas o estilo de Cristofer – que é modelo aliás, dá pra ver, né? – é diferente do que já foi ilustrado aqui.

Com essa camiseta de gola “V” profunda e a calça justa, essa outra vertente pagodeira tem uma pegada mais sensual, que realça o corpo dos moços, todos trabalhados na malhação. O que me chama a atenção no caso de Cristofer é o toque moderninho dado pelo amarelo da calça (acompanhado das legítimas no mesmo tom!!) e a estampa listrada estilo Chanel – um clássico – que levam o look para outro lado.

Daí a brincadeira do título, que faz referência a famosa pintura do surrealista Magritte, que brinca com a noção de que uma imagem não é uma realidade e sim sua representação. A calça de Cristofer não é “Restart“, necessariamente. Ela vem de todo um processamento de referências feito por quem produz moda hoje em dia, que faz com que vários grupos se apropriem de uma mesma peça e  ela ganhe um novo significado.

Olha o cabelo do black

Foto: Luana Ribeiro

“Várias pessoas já chamaram para ser modelo, ele que não aceitou”, entrega um amigo de Clebson Santos e eu vejo que não fui a única a reparar no visual do rapaz, passeando no Shopping Piedade.

A inspiração para se vestir? A resposta está na ponta da língua: Eddye, ex-integrante da banda de pagode Fantasmão e atual vocalista da Edcity, conhecido pelas letras “de protesto”, e pelas influências de hip hop no som e no visual. Vendo seu agasalho esportivo vermelho e o cabelo black (em gomos!) isso fica claro. O pagode é o nosso rap? Talvez.

A Edcity dá continuidade ao trabalho da Fantasmão, que despontou na cena de pagode como uma novidade, por aliar a batida do pagode com as letras que falam da situação do negro e do pobre nas periferias de Salvador, saindo do esquema “bumbum” já clássico. A influência do hip hop portanto se faz entender aí: na temática semelhante, na condição social predominante das bandas e do público. Não posso afirmar que já pode-se considerar um movimento consolidado, mas vem influenciando os colegas, a exemplo do Parangolé e sua “Favela”. De uma forma ou de outra, acabaria influenciando o modo de vestir dessa galera. Há também uma vertente “bling-bling” pagodeira, mas aí já fica para os próximos capítulos.

A propósito: Pra quem não sabe, bling-bling é o nome que se dá ao estilo dos rappers que ostentam jóias enormes, vide 50 cent, e faz menção justamente ao som da luz tocando-as.