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As borboletas prateadas

Sábado é um bom dia é um bom dia para estréias, né não? Pois hoje inauguro a seção “Detalhes tão pequenos…” com recortes interessantes, pequenos detalhes que fazem diferença. Uma bolsa, um sapato, uma pulseira, borboletas…

Borboletas?

Monique dos Santos (19), vendedora de uma pequena loja de roupas na Brasilgás, leva borboletas no pescoço e “pousadas” delicadamente em seu cabelo joãozinho.

Foto: Luana Ribeiro

 

Foto: Luana Ribeiro

 Quando perguntei a ela porque ela usa o cabelo joãozinho, ela disparou: “porque eu raspei a cabeça! Foi muita química, o cabelo caiu todo e eu tive que raspar”. Fiquei surpresa, mas seu sorriso me mostrou que ela tem sabido contornar a situação. Depois do cabelo curtinho, ela nunca fica sem usar um enfeite: “Ontem eu coloquei fuxico verde, anteontem fuxico rosa, tenho passadeira jeans com laço de bolinhas… Aí passei lá em Gildo e comprei essas borboletinhas”. Para quem não é de Salvador, fuxico é isto, passadeira é tiara e Gildo é uma loja de bijuterias – entre as dezenas que existem na cidade – lá de Castelo Branco.

Antes que eu fosse embora, Monique correu para dentro da loja: “peraí que eu vou te mostrar uma coisa”. Trouxe um caderno, desses que as meninas anotam confidências, mensagens, declarações de amizade. Nele, a lembrança do cabelo comprido de antes e otimismo de quem sabe que cabelo cresce – e qualquer coisa a gente sempre terá as borboletas.

"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".Foto: Luana Ribeiro
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Nepotismo – Tarsilla Alvarindo

Foto: Luana Ribeiro

Desde o início do curso acho Tarsila Alvarindo uma menina muito estilosa. Menina, sim, porque 27 anos – com esse corpinho de 15 – é ainda fevereiro na vida. De mulher, Tarsila tem a elegância e a responsabilidade de ser empreendedora. Mas escolhi hoje para mostrar o visual dela porque além de resumir bastante seu estilo, tem muitas características interessantes. Uma delas é as texturas que alegram o look escuro.

Vamos começar do começo (sic): do pé. A sapatilha dourada funciona como ponto de cor, e uma cor sofisticada e incomum, ressalte-se. A sofisticação, ela esclarece, aliás, não necessariamente tem a ver com dinheiro. “Eu tenho várias peças baratas, não uso só grife. É só ter olho”, arregala os olhos, fazendo metáfora sem querer.

Foto: Luana Ribeiro

A saia, meio godê, de bolinhas e com um laço arrematando a frente dá o toque “menininha”, quebrado pelo tom sóbrio. O casaco de corações brancos traz uma das coisas que eu mais adoro na moda de rua que é a mistura de estampas. Amarrado como echarpe, fecha-se uma combinação elegante.

Nota-se que Tarsila tem informação de moda, mas ela reitera: “nem tudo que é tendência eu gosto e uso”. Sua maior inspiração é o seu espírito no dia, que pode estar mais para o despojado, étnico ou classudo. Às vezes, por trabalhar com assessoria de comunicação, volta e meia precisa estar mais arrumada. “Meu namorado diz que eu devia ter alguns terninhos e eu respondo: alô-ô, terninho não existe”, ri, sabendo que se vira muito bem sem o famigerado look executivo: “consigo ficar arrumada e manter o meu estilo”.

Meio bossa nova, meio rock and roll

Foto: Luana Ribeiro

Você diria que esta garota, que calmamente lê um livro em um banquinho lá no Instituto de Letras, é a DJ Paranóia?

Nem eu.

Esse não a única antítese de Marina Vieira (18). Baseada em seu visual rocker (olha a camiseta “God Save the Queen”, o preto, uma pegada meio andrógina, de calça e tênis masculinos), perguntei o que ela costuma ouvir: “eletrônico, rock, bossa nova…”  Imagina só, quanta diversidade! Outras influências de Marina são as coisas que ela via em Lisboa, onde viveu por muitos anos.

Foto: Luana Ribeiro

Mais de Marina, não sei. Super tímida, de poucas palavras, ela fala mais através de sua postura e de seu estilo. E da música também. Vai lá: twitter.com/djparanoiaprod

Moda com sotaque

Ontem fui ver a tradicional procissão de Monte Santo, que fica a 352 Km de Salvador. Às 4h da manhã, as matracas anunciam o início do percurso pelo pedregoso e íngreme Caminho de Santa Cruz, com cerca de 4 Km através da Serra do Piquaraçá, trazendo na volta as imagens do Senhor Morto, São João Evangelista e Nossa Senhora da Soledade para a Igreja Matriz.
 
Depois de todo essa verdadeira via-crúcis, encontrei a tímida Stephany (15) e a faladeira Jôh (16), conversando na praça. Como esta mesmo disse, elas “se vestem como as baianas, de shortinho e tênis”. Não qualquer shortinho, nem qualquer tênis, é claro – isso fica claro no All Star de cano alto e cadarço rosa de Stephany e no seu short de cintura alta, verdadeira coqueluche, pelo menos em Salvador.  
Foto: Luana Ribeiro

As tendências chegam onde menos se espera. “A gente lê muito as revistas de moda, mas aqui em Monte Santo não dá para usar tudo que vê, senão vão chamar a gente de ridícula”, explica Jôh com seu sotaque característico. Interessante ver como as pessoas se apropriam da moda e adaptam ao clima da cidade e ao seu estilo de vida. Penso que moda de rua é bem isso: local e universal ao mesmo tempo.

 
 

Nepotismo – Ket Power

Foto: Luana Ribeiro

Te vejo na Vogue, Ket  😉

Essa moça está sempre elegante. Mas quando chegou hoje para aula, com esse vestidinho clássico e essa bolsa engraçada, chique e simples, não tive dúvida: tinha que fotográfa-la.

Olha a parte de baixo!
Foto: Luana Ribeiro

Carol Andrade, ou Ket, é minha amiga e tem esse blog aqui ó: Cabe na Bolsa.

Ela saca muito de moda, como vocês poderão ver no blog e na foto aí em cima. E é um exemplo de que esse espírito “fashionista” já chegou em Salvador, que muitos alardeiam como provinciana. Isso se comprova na moda de rua, com as pessoas “na tendência” e na quantidade de marcas que se instalaram na cidade nos últimos 3 anos como Zara, Farm, entre outras.

No entanto – e essa é uma das inspirações desse blog – os soteropolitanos tem uma maneira muito própria de se apropriar da correntes da moda que circulam por aí, por vários motivos: o clima, a condição social e a própria história daqui, que determinou a facilidade de aderir ou não a algo novo. De certa forma, acho que as lan houses, um fenômeno aqui em Salvador, ajudaram a incluir Salvador nos ciclos da moda. Com moderação, claro – aos poucos as pessoas estão ousando mais, “se montando” mais. Vamos ver os rumos dos acontecimentos.

 Por hoje se encerra o momento mimimi, rsrsrs

 

Teen look

Foto: Luana Ribeiro

“Como assim, Luana, duas meninas de uniforme em um blog de moda de rua?”

Justamente.

Quase todo mundo na adolescência ODEIA uniforme. Logo quando a gente quer descobrir quem é – e o mais importante, mostrar pra todo mundo – temos que ficar todos iguaizinhos e sem graça, com aquela roupa que não cai bem no admirável corpo novo que estamos ganhando!

Pois bem. Encontrei as primas Adrielle e Dandara Almeida, 14 e 15 anos respectivamente, na estação da Lapa, saindo da aula. Num rasgo de rebeldia, elas resolveram dar um jeitinho na farda e transformaram a camisa em baby look (ou melhor seria “teen look”?). Some-se a isso brincos e sutiãs flúor devidamente combinados, calças justíssimas e pronto! Era uma vez um uniforme.

Aliás, tenho visto que uma moda bombando na cidade no momento são as cores flúor, principalmente no sutiã, com uma blusa transparente por cima. Isso sim que está virando uniforme.

Menção Honrosa

Dia de aniversário é dia de caprichar no visual, certo?

Esta senhorinha aqui elegeu a oncinha para comemorar o aniversário de Cachoeira (13 de março), que começou a ser colonizada em 1531, mas somente há 138 anos foi elevada à categoria de cidade. Quando a vi, ela estava na janela, brejeira, arrumando o lenço que, como depois observei, fazia uma combinação criativa com a estampa de onça da blusa.

É uma prova, aliás, de quanta vida se vê olhando as janelas de Cachoeira.

Foto: Luana Ribeiro

E por falar em estampas, vale reparar nas camisas dos sambistas de roda:

Foto: Luana Ribeiro

É uma cidade que sempre me surpreende, a cada vez que visito, em sua capacidade de manter as tradições (como o samba de roda, os casarões, a Irmandade da Boa Morte, os ladrilhos hidráulicos, a maniçoba) e ao mesmo tempo possuir uma vida artística intensa e moderninha. Vale a pena. E são só uns 120 km de Salvador.