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A dança da sereia

Foto: Luana Ribeiro

Quando eu vi Inaê Moreira (20), a primeira coisa obviamente que me chamou atenção foi o verde da sua calça, que combina bastante com essa manhã cinzento (e frio) que fez hoje. Depois, claro, eu vim reparar na sobreposição de listras (um detalhe simples, mas incrível!) e no discreto piercing no nariz. Juntando isso tudo ao tênis e à mochila, ela estava com uma pegada bem street, típico de uma estudante cheia de afazeres.

 

Foto: Luana Ribeiro

 

O palpite de “estudante cheia de afazeres” veio também da pressa com que a moça saía do campus de Ondina da UFBA. E eu acertei: ela faz Dança lá – e em outras lugares também. Inaê faz parte da Cia Obcena de Arte . Ela me convidou para conferir, em breve um evento especial que eles vão organizar, uma intervençaõ urbana,o Observatório de Perfomances, que vai rolar nos dias 24 e 25 de junho, no centro da cidade. Quem quiser mais detalhes é só dá uma clicada no link ali em cima.

“Acho que me visto assim para causar, para as pessoas saberem que eu sou uma artista. Como trabalho com arte de rua, é legal as pessoas olharem e não verem uma passante qualquer”, afirma ela. Tá certo – não à toa, ela veio parar aqui no blog. Mas falando de seu visual, acabei não contando uma das coisas que mais me surpreenderam nela: o nome. Inaê, para quem não sabe, é uma das formas de chamar Iemanjá. E se a música nos leva a prestar atenção no canto da sereia, por aqui, o negócio é sua dança.  

 

 

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Ceci n’est pas une pantalon Restart

Foto: Luana Ribeiro

 Tradução: Isso não é uma calça “Restart”.

Isso é uma calça “Léo Santana“, de acordo com Cristofer de Oliveira (23), que diz ser o cantor sua grande inspiração no visual. Não é a primeira vez que um vocalista de pagode aparece por aqui como referência de moda, mas o estilo de Cristofer – que é modelo aliás, dá pra ver, né? – é diferente do que já foi ilustrado aqui.

Com essa camiseta de gola “V” profunda e a calça justa, essa outra vertente pagodeira tem uma pegada mais sensual, que realça o corpo dos moços, todos trabalhados na malhação. O que me chama a atenção no caso de Cristofer é o toque moderninho dado pelo amarelo da calça (acompanhado das legítimas no mesmo tom!!) e a estampa listrada estilo Chanel – um clássico – que levam o look para outro lado.

Daí a brincadeira do título, que faz referência a famosa pintura do surrealista Magritte, que brinca com a noção de que uma imagem não é uma realidade e sim sua representação. A calça de Cristofer não é “Restart“, necessariamente. Ela vem de todo um processamento de referências feito por quem produz moda hoje em dia, que faz com que vários grupos se apropriem de uma mesma peça e  ela ganhe um novo significado.