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The twin set

Apesar de diferentes, algo me dizia que Taiana e Taise Conceição, de 10 anos, eram gêmeas. A roupa parecida, algo no jeito de andar, não sei. Quando eu vi a sandalinha igual, vi que tinha acertado. “Elas vestem tudo igual; uma não pode fazer uma coisa ,que a outra quer fazer também”, contou Teresa Santos, vizinha delas lá em Vida Nova, Lauro de Freitas. Como boa amiga, levou as meninas para passear na bela praça do Campo Grande.

Gosto muito do vestido rosa no corpo esguio, que as une, e os detalhes que dizem sobre a personalidade de cada uma. Taiana é extrovertida – abriu um sorrisão quando pedi para fotografá-las.Acho que o look  rosa total combina muito com seu jeito mais exuberante e “fashion”. Taise quase não deixou que esse post saísse, tímida que só. A jaqueta jeans, mais básica, vai bem com sua encantadora introspecção – o toque fica nos botões pink.

Consigo vê-las daqui a alguns anos, já moças, e fico me perguntando se elas vão mudar ou se vão mostrar ainda mais as diferenças que realçam a sua condição de gêmeas.

Olha o cabelo do black

Foto: Luana Ribeiro

“Várias pessoas já chamaram para ser modelo, ele que não aceitou”, entrega um amigo de Clebson Santos e eu vejo que não fui a única a reparar no visual do rapaz, passeando no Shopping Piedade.

A inspiração para se vestir? A resposta está na ponta da língua: Eddye, ex-integrante da banda de pagode Fantasmão e atual vocalista da Edcity, conhecido pelas letras “de protesto”, e pelas influências de hip hop no som e no visual. Vendo seu agasalho esportivo vermelho e o cabelo black (em gomos!) isso fica claro. O pagode é o nosso rap? Talvez.

A Edcity dá continuidade ao trabalho da Fantasmão, que despontou na cena de pagode como uma novidade, por aliar a batida do pagode com as letras que falam da situação do negro e do pobre nas periferias de Salvador, saindo do esquema “bumbum” já clássico. A influência do hip hop portanto se faz entender aí: na temática semelhante, na condição social predominante das bandas e do público. Não posso afirmar que já pode-se considerar um movimento consolidado, mas vem influenciando os colegas, a exemplo do Parangolé e sua “Favela”. De uma forma ou de outra, acabaria influenciando o modo de vestir dessa galera. Há também uma vertente “bling-bling” pagodeira, mas aí já fica para os próximos capítulos.

A propósito: Pra quem não sabe, bling-bling é o nome que se dá ao estilo dos rappers que ostentam jóias enormes, vide 50 cent, e faz menção justamente ao som da luz tocando-as.