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Porque moda também é terapia

Foto: Luana Ribeiro

Posturologia e Cinesiologia Clínica de Brunnstrom. Esses são os títulos que Luciano Guedes (23) carrega na foto aí em cima, como um bom estudante de fisioterapia que é. Poderia ser algo relacionado à moda, mas ele esclarece: “tem a ver comigo, mas eu gosto mesmo é da área de saúde”.

Isso não impede, é claro, que ele use seu próprio corpo para expressar seu gosto por moda. Achei muito criativo o look branco total típico de estudantes dessa área, aditivado pelo modelo da calça, pela echarpe cinza e pelo casaco em off-white – acho essa cor, aliás, chiquérrima e quebra qualquer monotonia de um look todo branco. E é tendêeencia para o inverno 2011  .

Foto: Luana Ribeiro

 

Tão antenado assim, Luciano conta que sua principal referência é o que vê na tv, nos figurinos das novelas. Essas informações são aliadas ao clima, “esse mudar de estação o tempo todo” bem característico de Salvador. Outras fontes são duas amigas que estudam Design de Moda lá na Faculdade da Cidade – um dos poucos cursos de graduação em moda da Bahia, aliás – e a recíproca é verdadeira: “elas também pescam algumas coisas de mim, me fazem de cobaia”.

Olha aí, cobaia também não é coisa da área de saúde? Pronto. Para voltar à fisioterapia, não sei se o moço já está expert em posturologia – mas postura ele tem de sobra.

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Nepotismo – Junior Figueiroa

 

Foto: Luana Ribeiro

“Antenado”. É assim que Junior Figueiroa (17) define seu estilo. Isso não se aplica somente à moda, faço questão de ressaltar, afinal meu colega de trabalho é também ligadíssimo quando o assunto é profissional, que o diga nosso chefe.

Foto: Luana Ribeiro

Acho ele uma figuuura. Sempre sabe de tudo, tem opinião sobre tudo, e é muito querido por aqui. Daquelas pessoas que sempre chamam atenção no ambiente, e isso deve-se também ao visual, claro. Hoje, ele estava numa mistura total de cores (amarelo, vermelho, laranja, bege e azul) e de estilo (meio mauricinho, meio descolado). “Adoro camiseta de gola V”, ri ele, dizendo o item que é sua marca registrada. Faltaram os wayfarer coloridos , sempre presentes em seus looks e que são uma verdadeira febre em Salvador, vendendo às pencas nas óticas… e nos camelôs. “Procuro estar informado e me inspiro muito no que vejo na televisão”. Mas tudo que sua antena capta, o coração não necessariamente captura: “Eu gosto de ser diferente”, afirma.

Souvenir

Foto: Luana Ribeiro

Por pouquíssimo, Saulo Maciel (23), em vez de estar aqui no Sotero Street Style estaria figurando no BH Moda de Rua (vale a visita). Isto porque este baiano de Bom Jesus da Lapa está morando em Belo Horizonte – e chegou recentemente do Canadá – mas, um empurrãozinho do destino o trouxe para uma passada em Salvador, para visitar a prima e  a tia, que estavam com ele quando o encontrei.

Falante e desembaraçado, Saulo sabe que chama a atenção. “Eu adoro usar saia”, afirma, de um jeito que deixa claro que não está nem aí para possíveis olhares tortos. E tortos ou diretos, eles foram muitos, enquanto descíamos a passarela do Salvador Shopping.  Ele também tira de letra a dificuldade de encontrar suas peças, encomendando os modelos que idealiza a uma costureira ou fuçando em brechós, atrás de uma saia que caiba em seu corpo.

Tanta novidade e criatividade não é à toa: ele é ilustrador e designer gráfico. “A gente chega na faculdade e encontra vários tipos de pessoa, designer de moda, designer de produto. Aí começa a ver as coisas: ‘isso eu gosto, isso eu também gosto’. Porque não usar, né?”, explica Saulo, em relação às referências que influenciam seu estilo.

Para completar, perguntei que inspirações ele trouxe na bagagem, na volta do Canadá, no que ele prontamente me respondeu que foi a coragem de usar looks diferentes sem se importar com a opinião alheia. “Se você usa uma roupa que você gosta com medo, as pessoas vão te zoar. Mas se você usa com segurança, elas podem olhar e até quem sabe se adaptar ao que estão vendo”. Eis aí uma lembrança de viagem duradoura. “Tudo é uma questão de postura”, finaliza, confiante.

Nepotismo – National Kid

Foto: Luana Ribeiro

Inaugurando a seção “Nepotismo”, com pessoas que são minhas conhecidas (colegas, amigos, parentes) com quem encontro por aí, Cydo Silva, colega de jornalismo na Facom-UFBA, que tem um critério curioso para definir sua roupa do dia. “Eu me guio pelas cores que eu gosto: verde, azul…”. Hoje ele escolheu azul, verde e o grande destaque da meia amarela (as cores da nossa bandeira!), numa mistura improvável e interessantíssima, colorindo peças mais tradicionais. “Às vezes eu acho que vai ficar bizarro, mas depois penso que eu tenho que me sentir bem”. Justamente o que o Sotero Street Style busca: autenticidade.

Olha o cabelo do black

Foto: Luana Ribeiro

“Várias pessoas já chamaram para ser modelo, ele que não aceitou”, entrega um amigo de Clebson Santos e eu vejo que não fui a única a reparar no visual do rapaz, passeando no Shopping Piedade.

A inspiração para se vestir? A resposta está na ponta da língua: Eddye, ex-integrante da banda de pagode Fantasmão e atual vocalista da Edcity, conhecido pelas letras “de protesto”, e pelas influências de hip hop no som e no visual. Vendo seu agasalho esportivo vermelho e o cabelo black (em gomos!) isso fica claro. O pagode é o nosso rap? Talvez.

A Edcity dá continuidade ao trabalho da Fantasmão, que despontou na cena de pagode como uma novidade, por aliar a batida do pagode com as letras que falam da situação do negro e do pobre nas periferias de Salvador, saindo do esquema “bumbum” já clássico. A influência do hip hop portanto se faz entender aí: na temática semelhante, na condição social predominante das bandas e do público. Não posso afirmar que já pode-se considerar um movimento consolidado, mas vem influenciando os colegas, a exemplo do Parangolé e sua “Favela”. De uma forma ou de outra, acabaria influenciando o modo de vestir dessa galera. Há também uma vertente “bling-bling” pagodeira, mas aí já fica para os próximos capítulos.

A propósito: Pra quem não sabe, bling-bling é o nome que se dá ao estilo dos rappers que ostentam jóias enormes, vide 50 cent, e faz menção justamente ao som da luz tocando-as.