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Rockwell Street Style

Foto: Luana Ribeiro

 A arte imita a vida. Ou a arte imita a vida?

A polêmica é velha, tanto como o ovo e a galinha. Mas me questionei sobre isso quando vi Monique dos Santos (7), que vi na Estação Pirajá, diáfana na contraluz, parecendo ter saído diretamente desta ilustração de Norman Rockwell.

Monique, ou melhor, a mãe dela, fez algumas adaptações “tropicais”: a estampa de flores do vestido lavanda – uma graça, esse tom – as flores em cores vivas em chuquinhas na cabeça e sandálias, claro. Mas a semelhança estava no estilo old school de Monique. Adoro ver criança vestida de criança!

Foto: Luana Ribeiro
Foto: Luana Ribeiro
  
Um detalhe interessante é que Rockwell fazia suas ilustrações baseadas em fotos em pb, colorindo  a seu critério e modificando as cenas, acrescentando ou retirando elementos de acordo com sua imaginação. Seus personagens, portanto, vinham da realidade – ao mesmo tempo que seus desenhos criaram um imaginário muito específico para todos que veêm suas ilustrações. Provavelmente nem ela e sua mãe conhecem o trabalho de Rockwell (quem sabe, né?). Não foi ele que inventou o estilo dos seus personagens, mas retratando-os, ele os transformou em uma fantasia pessoal, que acaba inspirando quem conhece seu trabalho. Retomar esse universo é ser retrô. Na moda, é um movimento interessante e muitíssimo comum atualmente. Mas ser retrô sem querer é um encanto. Foi isso que vi em Monique.
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Estilo Curinga

Foto: Luana Ribeiro

 “Uma forma de se libertar dos padrões”. É assim que a pernambucana Isabel Freitas (30), define sua relação com a moda. Dá para ver isso facilmente em seu visual, misturado e confortável, bem street mesmo.Gosto especialmente da combinação do tênis com a saia florida, em tons de rosa diferentes.

Liberdade aliás é tema fundamental em sua vida já que ela é coringa(ou curinga) do Teatro do Oprimido, método teatral criado por Augusto Boal nos anos 70, que pretende usar o teatro para promover mudanças na sociedade, no qual os oprimidos sejam incentivados a lutar por sua evolução. Nesse contexto aí, o coringa é um personagem distanciado que pode subverter as cenas, pedir para serem feitas de modo diferente, de modo a ressaltar um certo ponto de vista. Ele tem a função de um orientador. Isabel trabalha com a ONG CEIFAR, que em Salvador, atua na comunidade de Beiru/Tancredo Neves.

Foto: Luana Ribeiro

Buscando cada vez mais se capacitar, ela estuda Pedagogia na Ucsal, um curso que definitivamente tem muito a ver com o trabalho que ela desenvolve. Nessa onda de liberdade, Isabel também carrega no braço uma tatuagem de um sabiá-laranjeira, que é a ave símbolo do Brasil. Muito apropriado, não é?

Foto: Luana Ribeiro

Menção Honrosa

Dia de aniversário é dia de caprichar no visual, certo?

Esta senhorinha aqui elegeu a oncinha para comemorar o aniversário de Cachoeira (13 de março), que começou a ser colonizada em 1531, mas somente há 138 anos foi elevada à categoria de cidade. Quando a vi, ela estava na janela, brejeira, arrumando o lenço que, como depois observei, fazia uma combinação criativa com a estampa de onça da blusa.

É uma prova, aliás, de quanta vida se vê olhando as janelas de Cachoeira.

Foto: Luana Ribeiro

E por falar em estampas, vale reparar nas camisas dos sambistas de roda:

Foto: Luana Ribeiro

É uma cidade que sempre me surpreende, a cada vez que visito, em sua capacidade de manter as tradições (como o samba de roda, os casarões, a Irmandade da Boa Morte, os ladrilhos hidráulicos, a maniçoba) e ao mesmo tempo possuir uma vida artística intensa e moderninha. Vale a pena. E são só uns 120 km de Salvador.