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Tempo bom

“Logo hoje que eu tô de vermelho, é dia de Iansã”, riu Débora Alcântara (30), com a coincidência sagrada. Porque aqui em Salvador, muita gente se veste de acordo com o seu orixá de cabeça. Não é o caso de Débora. A semelhança com a Rainha dos Raios é a influência do seu clima. “Eu me visto pelo meu humor”, esclareceu ela, entre tempo bom e tempo ruim. Pelo seu visual coloridíssimo, deve estar com o astral lá em cima!

Foto: Luana Ribeiro

Falando em coincidências, descubro que estudou na Facom (UFBA), como esta foca que vos fala, e é jornalista do A Tarde . “Comunicação? Ah, vai ser nossa colega”. Eu deveria ter imaginado – a interceptei bem perto da saída do jornal, depois de tê-la visto passar entre a pequena multidão que sai da passarela e dos pontos de ônibus da região. E não tinha como não ter visto, com a combinação quase mexicana de vermelho e amarelo.

Depois, já conversando com ela, fui vendo os detalhes: espadrilhas (tendência que deve prosseguir no verão 2012),  colar e anel azul, a bolsa grandona com estampa tropical e a saia também estampada. Apenas descrevendo, pode parecer um verdadeiro carnaval, mas tem toda uma sutileza da coordenação de cores. O vermelho (liso e mais fechado) e o azul aparecem nas florzinhas da saia, a bolsa tem fundo preto, as bijuterias são super discretas e as espadrilhas são de um modelo clássico. Ao contrário do que ela imagina, duvido que pensem mal do seu look.

Um exemplo é a saia, grande destaque da produção. Além de linda, é dupla face. “A última vez que usei essa saia, foi pelo lado de dentro”. E adivinha a cor predominante? Azul – como as flores, o anel e o colar – se insinuando por baixo do amarelo. Deixa que digam que é Carnaval. A moça entende do samba.

Foto: Luana Ribeiro

Menção Honrosa

Dia de aniversário é dia de caprichar no visual, certo?

Esta senhorinha aqui elegeu a oncinha para comemorar o aniversário de Cachoeira (13 de março), que começou a ser colonizada em 1531, mas somente há 138 anos foi elevada à categoria de cidade. Quando a vi, ela estava na janela, brejeira, arrumando o lenço que, como depois observei, fazia uma combinação criativa com a estampa de onça da blusa.

É uma prova, aliás, de quanta vida se vê olhando as janelas de Cachoeira.

Foto: Luana Ribeiro

E por falar em estampas, vale reparar nas camisas dos sambistas de roda:

Foto: Luana Ribeiro

É uma cidade que sempre me surpreende, a cada vez que visito, em sua capacidade de manter as tradições (como o samba de roda, os casarões, a Irmandade da Boa Morte, os ladrilhos hidráulicos, a maniçoba) e ao mesmo tempo possuir uma vida artística intensa e moderninha. Vale a pena. E são só uns 120 km de Salvador.