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Ceci n’est pas une pantalon Restart

Foto: Luana Ribeiro

 Tradução: Isso não é uma calça “Restart”.

Isso é uma calça “Léo Santana“, de acordo com Cristofer de Oliveira (23), que diz ser o cantor sua grande inspiração no visual. Não é a primeira vez que um vocalista de pagode aparece por aqui como referência de moda, mas o estilo de Cristofer – que é modelo aliás, dá pra ver, né? – é diferente do que já foi ilustrado aqui.

Com essa camiseta de gola “V” profunda e a calça justa, essa outra vertente pagodeira tem uma pegada mais sensual, que realça o corpo dos moços, todos trabalhados na malhação. O que me chama a atenção no caso de Cristofer é o toque moderninho dado pelo amarelo da calça (acompanhado das legítimas no mesmo tom!!) e a estampa listrada estilo Chanel – um clássico – que levam o look para outro lado.

Daí a brincadeira do título, que faz referência a famosa pintura do surrealista Magritte, que brinca com a noção de que uma imagem não é uma realidade e sim sua representação. A calça de Cristofer não é “Restart“, necessariamente. Ela vem de todo um processamento de referências feito por quem produz moda hoje em dia, que faz com que vários grupos se apropriem de uma mesma peça e  ela ganhe um novo significado.

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Nepotismo – Junior Figueiroa

 

Foto: Luana Ribeiro

“Antenado”. É assim que Junior Figueiroa (17) define seu estilo. Isso não se aplica somente à moda, faço questão de ressaltar, afinal meu colega de trabalho é também ligadíssimo quando o assunto é profissional, que o diga nosso chefe.

Foto: Luana Ribeiro

Acho ele uma figuuura. Sempre sabe de tudo, tem opinião sobre tudo, e é muito querido por aqui. Daquelas pessoas que sempre chamam atenção no ambiente, e isso deve-se também ao visual, claro. Hoje, ele estava numa mistura total de cores (amarelo, vermelho, laranja, bege e azul) e de estilo (meio mauricinho, meio descolado). “Adoro camiseta de gola V”, ri ele, dizendo o item que é sua marca registrada. Faltaram os wayfarer coloridos , sempre presentes em seus looks e que são uma verdadeira febre em Salvador, vendendo às pencas nas óticas… e nos camelôs. “Procuro estar informado e me inspiro muito no que vejo na televisão”. Mas tudo que sua antena capta, o coração não necessariamente captura: “Eu gosto de ser diferente”, afirma.

Meio bossa nova, meio rock and roll

Foto: Luana Ribeiro

Você diria que esta garota, que calmamente lê um livro em um banquinho lá no Instituto de Letras, é a DJ Paranóia?

Nem eu.

Esse não a única antítese de Marina Vieira (18). Baseada em seu visual rocker (olha a camiseta “God Save the Queen”, o preto, uma pegada meio andrógina, de calça e tênis masculinos), perguntei o que ela costuma ouvir: “eletrônico, rock, bossa nova…”  Imagina só, quanta diversidade! Outras influências de Marina são as coisas que ela via em Lisboa, onde viveu por muitos anos.

Foto: Luana Ribeiro

Mais de Marina, não sei. Super tímida, de poucas palavras, ela fala mais através de sua postura e de seu estilo. E da música também. Vai lá: twitter.com/djparanoiaprod

Souvenir

Foto: Luana Ribeiro

Por pouquíssimo, Saulo Maciel (23), em vez de estar aqui no Sotero Street Style estaria figurando no BH Moda de Rua (vale a visita). Isto porque este baiano de Bom Jesus da Lapa está morando em Belo Horizonte – e chegou recentemente do Canadá – mas, um empurrãozinho do destino o trouxe para uma passada em Salvador, para visitar a prima e  a tia, que estavam com ele quando o encontrei.

Falante e desembaraçado, Saulo sabe que chama a atenção. “Eu adoro usar saia”, afirma, de um jeito que deixa claro que não está nem aí para possíveis olhares tortos. E tortos ou diretos, eles foram muitos, enquanto descíamos a passarela do Salvador Shopping.  Ele também tira de letra a dificuldade de encontrar suas peças, encomendando os modelos que idealiza a uma costureira ou fuçando em brechós, atrás de uma saia que caiba em seu corpo.

Tanta novidade e criatividade não é à toa: ele é ilustrador e designer gráfico. “A gente chega na faculdade e encontra vários tipos de pessoa, designer de moda, designer de produto. Aí começa a ver as coisas: ‘isso eu gosto, isso eu também gosto’. Porque não usar, né?”, explica Saulo, em relação às referências que influenciam seu estilo.

Para completar, perguntei que inspirações ele trouxe na bagagem, na volta do Canadá, no que ele prontamente me respondeu que foi a coragem de usar looks diferentes sem se importar com a opinião alheia. “Se você usa uma roupa que você gosta com medo, as pessoas vão te zoar. Mas se você usa com segurança, elas podem olhar e até quem sabe se adaptar ao que estão vendo”. Eis aí uma lembrança de viagem duradoura. “Tudo é uma questão de postura”, finaliza, confiante.