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Sansão e Dalila?

Foto: Luana Ribeiro

De um banco atrás de Marcos (20), pude ver a extensão dos cachos do rapaz, que desciam enroladinhos até quase o meio das costas. Intrigada com o penteado diferente, não resisti a perguntar de onde tinha vindo a inspiração. “Minha mãe tem o cabelo igual ao meu, aí eu deixei crescer…”, conta ele, que há 1 ano e meio cultiva as madeixas, que com certeza são a força do seu visual.

Foto: Luana Ribeiro

E falando em cabelo, um acessório que, com o perdão do trocadilho, está fazendo a cabeça das meninas é o lenço. Dia desses a lisboeta Sofia Andrade (21) usou de forma muito graciosa:

Foto: Luana Ribeiro

Gosto da forma que Sofia amarrou, simples e desprentensiosa: apenas um fofo laçarote na cabeça, jogado para o lado. Na cabeça das celebridades e na blogosfera, a quantidade de formas de usar mostram que o lenço é teindêeeiincia  também para este verão 2012.

Neston?

Outro detalhe interessante no look de Sofia foram s unhas combinando com uma das bolinhas do lenço. Um capricho só!

Foto: Luana Ribeiro

 

 

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O rei da rua

Foto: Luana Ribeiro

Cantando um refrão impublicável, acompanhado de umas 15 estudantes repetindo atrás. Essa foi a primeira visão que tive de Carlos Brito Silva (26), o Ném. A trilha sonora era nada mais, nada menos que um sucesso de duplo sentido da banda de pagode Saiddy Bamba. Provavelmente, aliás, ele já deve ter a coreografia na ponta dos pés, afinal, Ném é dançarino e  ensaia com duas galeras diferentes os sucessos do pagode, “pra chegar nas festas quebrando”. Mas para ganhar dinheiro, ele faz “uns bicos aí na Sete Portas”, conta cheio de ginga, como quem bem sabe dançar conforme a música.

A dança, diga-se de passagem, é o que mais faz brilhar o olho de Ném – que só é marrento na a foto, mas é todo sorridente – e não à toa, comanda também o seu visual. “Eu me visto assim ou de basqueteiro. Essas marcas tipo Cyclone deixei de usar, porque no shopping os seguranças ficam implicando “. O look de hoje foi escolhido “por causa da cor”, mas também por ser confortável “demais” para dançar, ele me conta.

Eu particularmente gosto das cores do Brasil, das chaves penduradas no pescoço e, principalmente da caixa de som de mp3 portátil, devidamente acompanhado do controle (!), que me lembrou o pessoal do break com o indefectível radiogravador sobre os ombros.

Foto: Luana Ribeiro

Ném ilustra como a influência do movimento black é presente na cidade, principalmente nos bairros de periferia, que está na roupa com inspiração no basquete; na música (“eu ouço hip-hop, pagode”) e nos costumes (o mp3 speaker é um exemplo). A diferença, nesse caso está no dispositivo, que evoluiu tecnologicamente – mas que retoma o design e o uso de antes. “Eu ando pra cima e pra baixo com ele”, diz risonho, justificando: “eu sou pagodeiro, né?”.

Enquanto a gente conversava, as meninas de lá do início do post seguiram para a escola. Mas não ficamos em paz: a todo momento paravam grupos de estudantes amigos dele, conhecidos acenavam de moto, gritavam seu nome. “Todo mundo me conhece, eu sou muito querido por aqui. Na linguagem da malandragem, eu sou o frente”,  anuncia professoral, e explica: “o frente é o que ajuda a galera. Eu ajudo todo mundo aí do ICEIA (cujas paredes grafitadas estão ao fundo), do Getúlio; como sou o mais velho, resolvo os problemas…”. Na moda, na dança ou na prosa, Ném é o rei da rua.