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Nepotismo – Tarsilla Alvarindo

Foto: Luana Ribeiro

Desde o início do curso acho Tarsila Alvarindo uma menina muito estilosa. Menina, sim, porque 27 anos – com esse corpinho de 15 – é ainda fevereiro na vida. De mulher, Tarsila tem a elegância e a responsabilidade de ser empreendedora. Mas escolhi hoje para mostrar o visual dela porque além de resumir bastante seu estilo, tem muitas características interessantes. Uma delas é as texturas que alegram o look escuro.

Vamos começar do começo (sic): do pé. A sapatilha dourada funciona como ponto de cor, e uma cor sofisticada e incomum, ressalte-se. A sofisticação, ela esclarece, aliás, não necessariamente tem a ver com dinheiro. “Eu tenho várias peças baratas, não uso só grife. É só ter olho”, arregala os olhos, fazendo metáfora sem querer.

Foto: Luana Ribeiro

A saia, meio godê, de bolinhas e com um laço arrematando a frente dá o toque “menininha”, quebrado pelo tom sóbrio. O casaco de corações brancos traz uma das coisas que eu mais adoro na moda de rua que é a mistura de estampas. Amarrado como echarpe, fecha-se uma combinação elegante.

Nota-se que Tarsila tem informação de moda, mas ela reitera: “nem tudo que é tendência eu gosto e uso”. Sua maior inspiração é o seu espírito no dia, que pode estar mais para o despojado, étnico ou classudo. Às vezes, por trabalhar com assessoria de comunicação, volta e meia precisa estar mais arrumada. “Meu namorado diz que eu devia ter alguns terninhos e eu respondo: alô-ô, terninho não existe”, ri, sabendo que se vira muito bem sem o famigerado look executivo: “consigo ficar arrumada e manter o meu estilo”.

Olha o cabelo do black

Foto: Luana Ribeiro

“Várias pessoas já chamaram para ser modelo, ele que não aceitou”, entrega um amigo de Clebson Santos e eu vejo que não fui a única a reparar no visual do rapaz, passeando no Shopping Piedade.

A inspiração para se vestir? A resposta está na ponta da língua: Eddye, ex-integrante da banda de pagode Fantasmão e atual vocalista da Edcity, conhecido pelas letras “de protesto”, e pelas influências de hip hop no som e no visual. Vendo seu agasalho esportivo vermelho e o cabelo black (em gomos!) isso fica claro. O pagode é o nosso rap? Talvez.

A Edcity dá continuidade ao trabalho da Fantasmão, que despontou na cena de pagode como uma novidade, por aliar a batida do pagode com as letras que falam da situação do negro e do pobre nas periferias de Salvador, saindo do esquema “bumbum” já clássico. A influência do hip hop portanto se faz entender aí: na temática semelhante, na condição social predominante das bandas e do público. Não posso afirmar que já pode-se considerar um movimento consolidado, mas vem influenciando os colegas, a exemplo do Parangolé e sua “Favela”. De uma forma ou de outra, acabaria influenciando o modo de vestir dessa galera. Há também uma vertente “bling-bling” pagodeira, mas aí já fica para os próximos capítulos.

A propósito: Pra quem não sabe, bling-bling é o nome que se dá ao estilo dos rappers que ostentam jóias enormes, vide 50 cent, e faz menção justamente ao som da luz tocando-as.