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Foto: Luana Ribeiro

Foto: Luana Ribeiro

Como um palito de fósforos às avessas, não tinha como não notar Daniel Amorim Xavier, 18, em meio a multidão que ocupava as areias da Barra do Gil. Com os cabelos descoloridos, verdadeira tendência na ilha de Itaparica, o sol deixava seu visual realmente incendiário. “A gente resolveu fazer isso pra vir aqui pra Ilha”. Correndo na areia com mais três amigos – todos devidamente loiros – ele era a cara do verão: tostado, o crucifixo de madeira já jogado pelas costas e um calção de coqueiral ao por-do-sol. Como todo mundo já fez uma loucura de verão, ele não deixou por menos e tingiu os cabelos com amoníaco!  Faz isso mais não, Daniel!  “Que nada, é só deixar no tempo certo”, desdenhou sorrindo. Quem resiste? Tá perdoado.

Foto: Luana Ribeiro
Foto: Luana Ribeiro

Menino da Bahia

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Ou quase. Com uma cor de chocolate 70% de cacau e com as cores do Olodum na cabeça, o arte-educador Glayson de Souza, 24, até parece um legítimo soteropolitano. Mas apesar de estar confortavelmente sentado aos pés da Igreja do Paço, era sua primeira vez na Bahia – e seu primeiro dia no Centro Histórico. “Chegamos segunda, viemos assistir o show de Ivete. Ficamos lá pelo Jardim  de Alah”, contou empolgado. Os dreads que tinha acabado de fazer gritavam por uma olhadinha. “É de família isso de andar e chamar a atenção, gostar de ser diferente, se vestir sem ligar”.

Sansão e Dalila?

Foto: Luana Ribeiro

De um banco atrás de Marcos (20), pude ver a extensão dos cachos do rapaz, que desciam enroladinhos até quase o meio das costas. Intrigada com o penteado diferente, não resisti a perguntar de onde tinha vindo a inspiração. “Minha mãe tem o cabelo igual ao meu, aí eu deixei crescer…”, conta ele, que há 1 ano e meio cultiva as madeixas, que com certeza são a força do seu visual.

Foto: Luana Ribeiro

E falando em cabelo, um acessório que, com o perdão do trocadilho, está fazendo a cabeça das meninas é o lenço. Dia desses a lisboeta Sofia Andrade (21) usou de forma muito graciosa:

Foto: Luana Ribeiro

Gosto da forma que Sofia amarrou, simples e desprentensiosa: apenas um fofo laçarote na cabeça, jogado para o lado. Na cabeça das celebridades e na blogosfera, a quantidade de formas de usar mostram que o lenço é teindêeeiincia  também para este verão 2012.

Neston?

Outro detalhe interessante no look de Sofia foram s unhas combinando com uma das bolinhas do lenço. Um capricho só!

Foto: Luana Ribeiro

 

 

Nepotismo – Cintia Sobral

Mais um vestido, dessa vez colorido e floral. É, ainda faltam mais de um mês para o verão, mas ele já chegou com força aqui em Salvador.

Foto: Luana Ribeiro

A bossa do look está no equilíbrio entre a estampa Gabriela Cravo e Canela com o modelo do vestido, os óculos escuros e o corte moderninho. Já conhecia Cíntia Sobral (26), mas não a reconheci, quando passou correndo, atrasada para a aula do mestrado. Em filosofia, senhores. Qual a minha surpresa quando ela me confessa o motivo do look mais brejeiro: “queria alguma coisa que combinasse com o cinto altinho. Quem disse que filósofa não pode ser vaidosa?

A sapatilha azul forma um mix interessante. Foto: Luana Ribeiro

Quanto a costumeira oposição moda x intelectualidade (ou a eventual comparação moda=futilidade), não há grilos para a moça, que não à toa, se dedica ao estudo da experiência estética. “Acho besteira. A arte alivia a vida”. Sabedoria de filósofa. Quem há de duvidar?

 

Detalhes… Pantera Cor de Rosa

Foto: Luana Ribeiro

Voltei!

Antes que eu fique vermelha de vergonha pela ausência gigantesca, apresento a pantera cor-de-rosa Carla Fernandes (26), n’os Detalhes tão pequenos… de hoje. O detalhe, no caso, é o look inteiro…de costas! Foi a primeira visão que tive da moça, perdida no meio de um grupão de amigos, que estava indo para um evento na Escola Politécnica da UFBA.

Ela, que estuda no ICI (Instituto de Ciência da Informação), disse que estava assim nos trinques para sair do básico jeans de todo o dia. E conseguiu, hein? Muito bom  a combinação do rosa sobre a pele negra.

Foto: Luana Ribeiro

 

Nepotismo – Regra de três

Hoje teremos uma aula de matemática e assunto é regra de três – simples e composta! E antes que você pare de ler, será uma aula ilustrada, tá legal? Vamos lá!

Regra de três simples:

Considerando que:

Temos:

Foto: Luana Ribeiro
 
Deste modo, posso dizer que os looks de Alexandro Mota (21)Carol Andrade (21)  são proporcionais, concordam comigo? Só estão invertidos: suéter cinza claro e jeans azul escuro para ele e suéter cinza escuro e jeans azul claro para ela. Incrível coincidência, não?
 
Adorei essa complementação de meus queridos amigos, toda em tons neutros e clássicos. Não fica monótono, como vocês podem ver, mas tem um detalhe que faz toda a diferença. Aí entra a regra de três composta.
 
Composta de: camiseta básica + jeans + calçado estiloso. Veja o exemplo abaixo:
 
Foto: Luana Ribeiro

Enquanto o tênis de couro de Alê fecha o look “Oskar Metsavaht“, phyno, como dizem por aí, a espadrilha listrada de turquesa (uma graça!) traz tropicalismo ao visual Flash Dance de nossa amiga Ket. No caso dela, a dobradinha tropical+contemporâneo (olha a adição) se repete nos acessórios.

Foto: Luana Ribeiro

 A turquesa, que lembra o nosso céu anil, se desdobra na pedra grande do anel e na espadrilha. As linhas urbanas do relógio prateado reforçam a base do visual.

Foto: Luana Ribeiro

Copiou? Agora é só fazer a lição de casa!

Epá Babá

Foto: Luana Ribeiro

Modelo ou esportista. Fiz uma aposta comigo quando Alberto Alves (26) entrou no mesmo ônibus onde eu estava. Minha intuição ainda dizia: será que ele é filho de Oxalá? Resultado: 1,5 x 0 para mim. Ele foi modelo – agora, formado em Dança, trabalha em um hotel do litoral norte – e sim, é filho de Oxalá, o orixá da criação.

Para o segundo acerto, nem foi preciso ser muito esperta, afinal, branco (e azul) é a cor desse orixá. Mas seu dia não é sexta? “Se deixar, me visto todo dia de branco”, riu ele, sabendo que o hábito faz o monge, ou melhor, o iaô. Vestido em feitio de oração, acrescentou alguns detalhes que de tão pequenos, dão um charme ao look Omo: óculos escuros, black descolorido e pulseira prateada. Um visual básico, que passa essa tranquilidade. “Me identifico com Oxalá, mas meu jeito é bem louco, ao contrário do temperamento dele. Nem sempre tem a ver”, adverte.

O charminho da pulseira prateada... Foto: Luana Ribeiro
...e do black com pontas descoloridas. Foto: Luana Ribeiro

No caso de Alberto, a monocromia tem origens meio religiosas, qualquer um pode desfrutar do efeito do branco total. Além do frescor visual e tátil, confere uma elegância incrível, pelo minimalismo e por alongar a silhueta. Não que ele precise de alongamentos; eu não medi, mas o moço deve ultrapassar 1,95m tranquilamente!

Por falar em altura, por fim ele me conta que seu orixá também tem um “acessório”: o opaxorô, um cajado com o qual, no início dos tempos, Oxalá separou os céus e a Terra, que estavam no mesmo nível de existência. O cajado está dividido em 9 partes, que representam os 9 níveis de existência – haja céu! O que pode representar uma indumentária, não é verdade?

Em tempo: Epá Babá é a saudação de Oxalá.

Moda, cultura e comportamento nas ruas de Salvador

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